"Download da PDF"

Estou procurando ajuda para desenvolver uma cópia editada digital deste documento em Português. Esta cópia não é completa. Além disso, estou procurando alguém para gravar uma versão em áudio do presente documento em Português. Eu você pode ajudar entre em contato comigo no email abaixo. Obrigado!

-------------------------------------

Segunda Declaração de Havana

As vésperas de sua morte, em carta inconclusa porque uma bala espanhola atravessou-lhe o coração, em 18 de maio de 1895, José Martí, apóstolo da nossa independência, escreveu ao seu amigo Manuel Mercado: "Já posso escrever ... já estou todos os dias em perigo de dar minha vida por meu país e por meu dever... de impedir, a tempo, com a independência de Cuba, que se estendam pelas Antilhas os Estados Unidos, e caiam com essa força a mais sôbre nossas terras da América. Tudo o que fiz até hoje, e farei, é para isso... As mesmas obrigações menores e públicas dos povos mais vitalmente interessalos em impedir que em Cuba se abra, pela anexação dos imperialistas, o caminho que se há de fechar e com nosso sangue estamos fechando, da anexação dos povos de nossa América, ao Norte revolto e brutal que nos despreza, impediu a sua adesão ostensiva e patente a este sacrifício que se faz em seu bem imediato. Vivi no monstro e lhe conheço as entranhas; e a minha funda é a de David."

Já Martí, em 1895, assinalou o perigo que ameaçava a América e chamou o imperialismo pelo seu nome: imperialismo. Aos povos da América advertiu que eles estavam, mais do que ninguém interessados em que Cuba não sucumbisse à cobiça ianque, desprezadora dos povos Iatino-americanos. E com seu próprio sangue, vertido por Cuba e pela América, rubricou as palavras póstumas que, em homenagem à sua memória, o povo de Cuba subscreve hoje, no principio desta Declaração.

Transcorreram 67 anos. Porto Rico foi convertido em colônia e é ainda colônia, saturada de bases militares. Cuba caiu também nas garras do imperialismo. Suas tropas ocuparam nosso território. A Emenda PIatt foi imposta à nossa primeira Constituição, como cláusula humilhante que consagrava o odioso direito de intervenção estrangeira. Nossas riquezas passaram às suas mãos. Nossa história falseada, nossa administração e nossa política amoldadas inteiramente aos interesses dos interventores; a nação submetida a 60 anos de asfixia política, económica e cultural. Mas Cuba se levantou, Cuba pôde redimirse a si mesma da bastarda tutela. Cuba rompeu as cadeias que atavam sua sorte ao império opressor, resgatou suas riquezas, reivindicou sua cuJtura, e hasteou sua bandeira soberana, de território e povo livre da América.

Já os Estados Unidos não poderão cair jamais sobre a América com a força de Cuba, mas, em troca, dominando a maioria dos demais Estados da América Latina, os Estados Unidos pretendem cair sobre Cuba com a força da América. Que é a história de Cuba senão a história da América Latina? E que é a história da América Latina senão a história da Ásia, da África e da Oceânia? E o que é a história de todos estes povos senão a história da exploração mais desapiedada e cruel do imperialismo no muno do inteiro? Em fins do século passado e começos do presente, um punhado de nações economicamente desenvolvidas, haviam terminado de repartir o mundo entre si, submetendo a seu domínio económico e político, as duas terças partes da humanidade, que, desta forma, viu-se obrigada a trabalhar para as clases dominantes do grupo de países de economía capitalista desenvolvida.

As circunstâncias históricas que permitiram a certos países europeus e aos Estados Unidos da América do Norte, um alto níveI de desenvolvimento industrial, situouos em posição de poder submeter a seu domínio e exploração o resto do mundo.

Que móveis impulsionaram esta expansão das potências industrializadas? Foram razões de tipo moral, "civilizadoras", como eles alegavam? Não: foram razões de tipo econômico.

Desde o descobrimento da América, que lançou os conquistadores europeus através dos mares, para ocupar e explorar as terras e os habitantes dos outros continentes, o afã de riquezas, foi o móvel fundamental de sua conduta. O próprio descobrimento da América se realizou em busca de rotas mais curtas ao Oriente, cujas mercadorias eram altamente pagas na Europa.

Uma nova classe social, os comerciantes e os productores de artigos manufaturados para o comércio, surge do seio da sociedade feudal de senhores e servos nos fins da Idade Média.

A sede do ouro foi a mola que moveu os esforços dessa nova classe. O afã de lucros foi o incentivo de sua conduta através de sua história. Com o desenvolvimento da indústria manufatureira e do comércio, foi crescendo sua influência social. As novas forças produtivas que se desenvolviam no seio da sociedade feudal, chocavam-se cada vez mais com as relações de servidão próprias do feudalismo, suas leis, suas instituições, sua filosofia, sua moral, sua arte e sua ideologia política.

Novas idéias filosóficas e políticas, novos conceitos do Direito e do Estado foram proclamados pelos representantes intelectuais da classe burguesa, os quais por responder às novas necessidades da vida social, pouco a pouco criaram consciência nas massas exploradas. Eram então idéias revolucionárias frente às idéias caducas da sociedade feudal. Os camponeses, os artesãos e os operários das manufaturas, encabeçados pela burguesia, lançaram por terra a ordem feudal, sua filosofia, suas idéias, suas instituiçõcs, suas leis e os privilégios da classe dominante, ou seja, a nobreza hereditária.

Então, a burguesia considerava justa e necessária a revlução. Não pensava que a ordem feudal podia e devia ser eterna, como pensa agora de sua ordem social capitalista. Incitava os camponeses a livrarem-se da servidão feudal, incitava os artesãos contra as relações gremiais e reclamava o direito ao poder político. Os monarcas absolutos, a nobreza e o alto clero defendiam tenazmente os seus privilégios de classe, proclamando o direito divino da coroa e a intangilidade da ordem social. Ser liberal, proclamar as idéias de Voltaire, Diderot, ou Jean Jacques Rousseau, portavozes da filosofia burguesa, constituía então, para as classes dominantes, um delito tão grave, como é hoje para a burguesia, ser socialista, e proclamar as idéias de Marx, Engels e Lenin.

Quando a burguesia conquistou o poder político e estabeleceu sõbre as ruínas da sociedade feudal, seu modo capitalista de produção, sôbre esse modo de produção ergueu seu Estado, suas leis, suas idéias e instituições.

Essas instituições consagravam, em primeira instância, a essência de sua dominação de classe: a propriedade privada. A nova sociedade, baseada na propriedade privada sõbre os meios de produção e na livre concorrência, ficou assim dividida em duas classes fundamentais; uma, possuidora, dos meios de produção, cada vez mais modernos e eficientes, a outra desprovida de qualquer riqueza, possuidora somente de sua força de trabalho, obrigada a vendê-la no mercado como uma mercadoria a mais, para poder subsistir.

Vencidos os obstáculos do feudalismo, as forças produtivas desenvolveram-se extraordinariamente. Surgiram as grandes fábricas onde se acumulava un número cada vez maior de operários.

As fábricas mais modernas e tecnicamente eficientes, iam eliminando do mercado os competidores menos eficazes. O custo dos equipamentos industriais fazia-se cada vez maior; era necessário acumular cada vez somas superiores de capital. Uma parte importante da produção foi-se acumulando em um número menor de mãos. Surgiram assim as grandes empresas capitalistas e mais adiante as associações de grandes empresas através de cartéis, sindicatos, trustes e consórcios, segundo o grau e o caráter da associação, controlados pelos possuidores da maioria das ações, ou seja, pelos mais poderosos cavalheiros da indústria. A livre concorrência, característica do capitalismo em sua primeira fase, deu lugar aos monopólios que estabeleciam acordos entre si e controlavam os mercados.

De onde saíram as colossais somas de recursos que permitiram a um punhado de monopolistas acumular bilhões de dólares? Simplesmente, da exploração do trabalho humano. Milhões de homens obrigados a trabalhar por um salário de subsistência, produziram com seu esforço os gigantescos capitais dos monopólios. Os trabalhadores acumularam fortunas para as classes privilegiadas, cada vez mais ricas, cada vez mais poderosas. Através das instituiçóes bancárias chegaram a dispor estas não só do seu próprio dinheiro mas também do dinheiro de toda a sociedade. Assim se produziu a fusão dos bancos com a grande indústria e nasceu o capital financeiro. Que fazer então com os grandes excedentes de capital que, em quantidades crescentes, iam se acumulando? Invadir com eles o mundo. Sempre em busca do lucro, começaram a apoderar-se das riquezas naturais de todos os países economicamente débeis e a explorar o trabalho humano de seus habitantes com salários muito mais míseros do que os que se viam obrigados a pagar aos operários da própria metrópole. Iniciou-se assim a divisão territorial e económica do mundo. Em 1914, oito ou dez países imperialistas haviam submetido ao seu domínio económico e politico, fora de suas fronteiras, territórios cuja extensão ascendia a 83,700,000 km2 com uma população de 970 milhões de habitantes. Simplesmente haviam-se dividido o mundo.

-------------- não completa ----------------


info@segundadeclaracion.net - 07/2011